Gravura Brasileira

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De 8/6/2004 a 24/7/2004

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“ENCONTROS”
Monotipias, fotogravuras e aquarelas das artistas
Margot Delgado, Maria Villares e Regina Dutra.
 

Local:
galeria Gravura Brasileira
rua Fradique Coutinho, 953, Vila Madalena.
telefones: 55.11.3097.0301 e 3097.9193
abertura: 08 de junho, terça feira, 19hs.
período de exposição: 09/06 a 24/07/2004.
horários: segunda a sexta-feira de 10/18 hs. e sábado de 11/15 hs.
email: gravbrasileira@uol.com.br
site: http://www.cantogravura.com.br


A exposição “Encontros” com fotogravuras, aquarelas e monotipias de Margot Delgado, Maria Villares e Regina Dutra vai mostrar trabalhos de três artistas cujos percursos ligados à arte e ao fazer e pensar artísticos correm paralelos.
 
Amigas há muitos anos, trabalharam juntas em seus ateliês e dividiram suas experiências e vivências artísticas. Destes “encontros” de meios, técnicas e poéticas que se tocam resultou esta exposição.
 
As gravuras apresentadas por Margot Delgado nascem de suas monotipias. Estas imagens iniciais, que foram re-trabalhadas através de intervenções em cópias xerox e fax, transformaram-se em matrizes para as suas fotogravuras.
 
Regina Dutra nos traz monotipias realizadas em bastão oleoso sobre matrizes de lixa cuja imagem é impressa com a ajuda do calor. As imagens são fascinantes pela invasão dos campos de cor, pela mescla de cores e pelas linhas que somem e surgem sem perder a qualidade matérica da pintura ou a beleza do óleo.
 
Enquanto isso, Maria Villares apresenta monotipias e aquarelas que trazem uma iconografia ligada ao corpo humano: o pulmão, a caixa toráxica e o coração.
 
Assim se constituiu um corpo de trabalhos de três personalidades distintas e únicas que trazem para a esfera da arte as suas visões pessoais.


A exposição:
Depoimento da artista Regina Dutra:

“Somos, Maria, Margot e eu, três mulheres cujos percursos ligados à arte, ao fazer e pensar artísticos, correm paralelos.
    A arte foi parte preponderante de nossas vidas, esteve presente em todas as etapas, da juventude à maturidade, e se fez forte mesmo entre os desafios do casamento e da maternidade, no período de formação e definição profissionais e até filosóficas.
Margot e eu há muitos anos, encontramo-nos para trocar idéias sobre leituras, comentar exposições, conversar sobre nossos trabalhos. Os cadernos de desenho, aquarela e anotações nos acompanharam desde sempre como registros das muitas experiências que vivemos.
Para nós, a vivência de atelier é diária, uma rotina de coisas e idéias coletadas e exploradas, de manipulação de tintas, fundos de tela, preparação de papéis, a cerâmica, os objetos construídos, a exploração de formas etc.
Margot, discípula de Evandro Carlos Jardim, tem um desenho delicado e de linha fluente, além de grande experiência com gravura em metal, tendo trabalhado com água forte, água tinta e ponta seca. Trabalhou também com várias modalidades de monotipia.
As monotipias iniciais de Margot, nascidas das lixas, transformaram-se com experiências realizadas com xerox e fax, e finalmente resultaram nas fotogravuras.
De minha experiência com gravura posso dizer que me apaixonei, no início da profissão, pela xilogravura, pelo efeito dos veios da madeira, mas, sobretudo por sua linguagem clara e definida. Mais recentemente trabalhei alguns tipos de monotipia. Aquela feita com o papel colado sobre o vidro entintado, e o desenho feito diretamente, na hora. Experimentei também algumas técnicas à base de água e fiz experiências com a argila e engobes, tirando a cópia no papel.Gosto do resultado direto, puro, que preserva, de certa forma, a emoção que o gerou.
Enquanto isso, Maria Villares fez cerâmica durante oito anos, cursou Escola Brasil, trabalhou com aquarelas e trilhou o caminho das monotipias sobre vidro entintado, ou sobre chapa. Durante permanência de três meses em Londres, desenvolveu esta e outras técnicas. Em 2001 sua exposição na Galeria Nara Roesler foi o resultado dessas pesquisas.




Embora muito tenha mudado desde que começou, acho que esta exposição nasceu de uma experimentação à qual Margot e eu nos atiramos, ora em meu, ora em seu atelier.
Fizemos de lixas de madeira matrizes para nossas pinturas com bastões oleosos, cada uma com suas imagens. Depois tiramos cópias (ou uma cópia) dessas imagens com a ajuda do calor.
O resultado conquistado era muitas vezes fascinante, pela invasão dos campos de cor, a mesclagem das cores, uma linha que sumia e outra que surgia. Mas, principalmente, não se perdia a qualidade matérica da pintura ou a beleza do óleo.
A segunda cópia, quando se conseguia, trazia surpresas pelo quase desaparecimento da forma, da figura que se dissolvia, como muitas vezes em nossa memória ou em nossas vidas.
O resultado era entusiasmante, e resolvemos fazer uma exposição, mas juntas decidimos que queríamos mais uma parceira nesta mostra. Uma coletiva não se faz com duas artistas.
Imediatamente pensamos na Maria.
    Em 1996, durante uma individual minha, em que apresentava pinturas e esculturas, tive a satisfação de conhecer Maria Villares, que me procurou por ter visto uma escultura de parede construída com favas de cerâmica. Descobrimos que, não só as favas, mas muitas outras formas da natureza eram objetos de nosso olhar. Sem saber, nem nos conhecer, nossa iconografia andava junto: a sombra do pulmão, os ossos da caixa toráxica e o coração eram formas que nos atraíam por sua organicidade.Estávamos as duas, cada uma do seu jeito, formando um repertório de imagens coincidentes.
    Margot e Maria se aproximaram com muitas afinidades: através do trabalho e das conversas sobre ele nos salões de aquarela dos quais participaram juntas. Morando próximas, estão sempre se visitando e trocando vivências artísticas.
    O trabalho de Margot e Maria foi convergindo, graças aos encontros e reflexões, parte deles no Atelier Piratininga, que freqüentaram juntas durante o ano passado.
    São muitas as coincidências entre nós três, são muitos os encontros.
Assim se constituiu um corpo de trabalhos de três personalidades distintas e únicas, mas que se encontram na arte, para, de certa forma, contribuir para o seu mistério.”

Regina Dutra
8 de março de 2004



 

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