Aquilo que o Tempo Dobra
junho
2026

Aquilo que o Tempo Dobra
Mostra coletiva de Livros de Artista
curadoria de Fabíola Notari e Paula Miranda
20 junho a 08 agosto de 2026
Artistas participantes :
Alex Gama, Amália Barrio, Ana Kalassa, André Berger, Anete Ring, Anico Herkovitz, Antonio Goper, Augusto Sampaio, Bruna Kim, Bruno Oliveira, Claudio Caropreso, Constança Lucas, Edmar Almeida, Eduardo Ver, Fabiana Grassano, Fabiola Notari, Feres Khoury, Francisco Maringelli, Gilberto Tomé, Helena Freddi, Heliete Botelho, Irene Guerreiro, Jacqueline Aronis, Julian Campos, Kika Levy, Leonor Décourt, Leya Mira Brander, Lídice Salgot, Lilian Arbex, Lívia Escobar Gabbai, Luciana Bertarelli, Luise Weiss, Margarida Holler, Margot Delgado, Maria Villares, Maura de Andrade, Merien Rodrigues, Miriam Tolpolar, Néia F. Martins, Paula De Podestá, Paula Gabbai, Pedro Pessoa, Rafael Kenji, Regina Johas, Rose Sardin, Sebá Neto, Simone Höfling, Teresa Berlinck, Ulysses Bôscolo e Gráfica Experimental.
‘Aquilo que o tempo dobra’ sugere uma ação invisível e contínua. O tempo dobra o papel. Dobra a memória.
Dobra a imagem. Dobra a matéria até que ela se transforme em linguagem.
Esta exposição reúne artistas que habitam um território comum: o encontro entre a gravura e o livro de artista. Não se trata de um recorte histórico, mas de um recorte vivo — um campo de experimentação no qual duas linguagens se atravessam e se expandem mutuamente.
A gravura, compreendida aqui para além da técnica, é a arte da inscrição. É o gesto que grava uma matriz — madeira, metal, pedra, polímero etc. — e, por meio da pressão e da tinta, transfere essa marca a outro suporte. É repetição com diferença. Cada impressão carrega a memória do sulco, do corte, da incisão. A gravura lida com permanência e multiplicidade, com a marca que insiste no tempo.
O livro de artista, por sua vez, é a obra autônoma. Não ilustra nem acompanha: ele é linguagem. Estrutura-se por páginas, dobras, cortes, vazios, sequências. Pode assumir a forma de códice, sanfona, objeto, caixa ou arquitetura inventada. No livro de artista, o tempo não é apenas tema — é experiência. O leitor percorre, pausa e retorna. O livro organiza o ritmo da imagem.
Entre a matriz e a página, algo acontece.
Há artistas da gravura que encontram no livro um espaço expandido para suas impressões — transformando a repetição em narrativa, a série em percurso. Há artistas do livro que incorporam procedimentos gráficos — relevo, vazado, sobreposição, transferência — como estrutura poética. Não se trata de técnica aplicada, mas de contaminação sensível.
As obras reunidas apresentam produções recentes — algumas muito atuais, outras de poucos anos atrás — revelando a vitalidade contemporânea desse diálogo. A diversidade de formatos e suportes evidencia investigações plurais: livros únicos e múltiplos, matrizes incorporadas à estrutura, páginas que funcionam como campo gráfico, objetos que tensionam a bi dimensionalidade da impressão.
Cada artista traz sua própria poética — atravessando memória, território, identidade, paisagem, silêncio, arquivo. O ponto de convergência é o livro como linguagem: o livro como dobra do tempo.
Porque toda gravura é tempo comprimido na matriz. E todo livro é tempo organizado em páginas. ‘Aquilo que o tempo dobra’ não é apenas papel. É imagem. É gesto. É memória impressa. É o espaço onde artistas afirmam que a matriz pode ser página e que a página pode ser matriz.
Fabíola Notari e Paula Miranda
Março 2026























