top of page
Gravura Quimérica

Agosto

2026

Gravura Quimérica

Natali Tubenchlak


Curadoria Ana Carla Soler e Talita Trizoli

15 de agosto a 26 de setembro



PROVOCAÇÕES POÉTICAS
Artistas e performers convidados criam poemas a partir da exposição e fazem leitura coletiva aberta ao público.
Lançamento de zine sobre a exposição Gravura Quimérica e o trabalho da artista Natali Tubenchlak

29 de agosto, sábado, 15-17h
rua Ásia, 219, Cerqueira César, São Paulo
(entrada gratuita)

Organização
Lívia Aguiar
Poetas Provocadoras
Carol Blackbird, Lívia Aguiar, Orquidea Garcia, paula poc e Téia Porto
Escritoras Convidadas
Amara Moira, Bruna Lucchesi, Clarice Reichstul e Julia Bac
Intervenções Sonoras
Anelena Toku




Artista visual, vive em transito entre Rio e Niterói.

Trabalha com gravura, desenho e instalação.

Frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, posteriormente se graduou em design de produtos na Faculdade da Cidade, se especializou em produtos de cerâmica na escola de artes e oficios em Barcelona-Espanha e em gravura na Oficina do Museu do Ingá-Niterói.

Em seu processo de criação, é frequente a apropriação de imagens recontextualizadas que, frequentemente, assumem formas de paródia e tangenciam o grotesco. Manipula personagens e enredos que refletem tanto a melancolia da cultura ocidental quanto o desejo de reconciliação com a natureza.




Gravura Quimérica

de Natali Tubenchlak


Braços e pernas e patas balançam descontroladamente das extremidades de um nó branco com sombreado vermelho e preto; um corpo de boneca tem a cabeça trocada por plantas, animais e úteros humanos; cabeças de peixes e polvos fazem as vezes da parte superior de um corpo feminino em posições de yoga; espigas de milho tornam-se meio para uma paródica equitação de fi guras históricas.

Essa poderia ser uma descrição de uma peça surrealista/dadaísta, ou mesmo uma variante latinoamericana do teatro do absurdo em chave feminista, mas trata-se do descritivo de algumas gravuras presentes nessa individual da artista brasileira Natali Tubenchlak.

Natural de Niterói, Tubenchlak tem trabalhado ao longo dos anos com diversas mídias e técnicas em uma produção marcada pela ironia bem-humorada, pelo despojamento de certa sisudez técnica em prol de um hibridismo temático e processual, e pela miscelânea de linguagens para melhor sintetizar os jogos de representação que a interessam, sendo que, em meio a esses processos, sua vocação gráfi ca é notável.

Na tradição da gravura em metal, é na superfície da placa que os desenhos tomam corpo para viabilizar o entintamento e a impressão - e é no gesto de sulcagem de Tubenchlak, nesse marcar assertivo de relevos e texturas na matriz, que se percebe um zelo na reprodução dos impressos que se aproxima de um gestar maternal das imagens. A cologravura, técnica preterida por muitos, mas muito presente na produção de Tubenchlak, ganha nas mãos da artista toques de sofi sticação conceitual, justamente pelo cuidado empregado em seus procedimentos de produção e impressão.

Nos jogos compositivos da artista, a lógica operativa da colagem e da gravura, que grosso modo consiste na sobreposição de partes trabalhadas de maneira distinta a fi m de produzir imagens seriadas ou não, permite a ela acessar temas caros à sua trajetória, como as representações da feminilidade, as experiências eróticas e o universo dito natural, das plantas e animais, onde a hibridização mostra-se como uma característica tanto conceitual como formal nas composições.

Desde o início dos anos 2010, a artista coleciona seres fantásticos que tomam forma em meio a suas técnicas de água-tinta e água-forte, orquestrados por uma alquimia de ácidos e inscrições de riscos de ponta-seca e buril. Sua lógica operativa para a impressão é quase uma ação antropófaga, unindo materiais díspares que, coletados e reunidos de maneira quimérica, dão corpo a fi guras paródicas e debochadas, monstruosidades bem-humoradas, orquestradas por uma fatura coreográfi ca, principalmente a partir da

apropriação dos elementos mais virtuosos da técnica empregada, junto a essa mistura de partes distintas de imagens diversas.

Assim como na cologravura acontece a união das partes para presenciar o surgimento de uma imagem nova, nos corpos híbridos de Tubenchlak há essa construção quimérica pela gravura, surpreendentemente equilibrada, que propicia a elaboração de metáforas outras sobre experiências banais, violentas, afetuosas e engraçadas.

O deboche é o escudo. A lança é o salto alto. E nem sempre uma monstra é uma ameaça, ela é também aviso...


Ana Carla Soler e Talita Trizoli

curadoria e ensaio crítico

Maior conjunto de gravuras da artista Natali Tubenchlak é exibido em São Paulo pela primeira vez


A Galeria Gravura Brasileira apresenta Gravura Quimérica, exposição individual da artista niteroiense em São Paulo.


A Galeria Gravura Brasileira abre no dia 15 de agosto de 2026 a exposição Gravura Quimérica, individual de Natali Tubenchlak, com curadoria de Ana Carla Soler e Talita Trizoli. Com obras produzidas entre 2011 e 2026, a mostra traça um panorama de quinze anos da trajetória da artista na gravura e marca a primeira vez que uma seleção desta amplitude da produção gráfica da artista é apresentada em São Paulo. A exposição fica em cartaz até 26 de setembro, com entrada gratuita.

Com uma produção híbrida por natureza, a prática artística de Natali Tubenchlak, em uma perspectiva feminista, evidencia que o corpo feminino nunca é apenas um corpo, supostamente neutro, mas sim um espaço de tensionamentos de linguagens e desejos, e que muitas vezes sequer chega a ser humano. São imagens em que mulheres se tornam plantas, animais e mesmo órgãos paralelos à sua corporeidade, e que materializam possibilidades outras de vivenciar a existência feminina no mundo."É um desejo talvez de fazer mais parte da natureza do que das questões humanas", conta a artista em entrevista no livro "Natali Tubenchlak: Ecofeminismo e pornopolítica".

Não à toa, é pela gravura, técnica pela qual a artista demonstra plena familiaridade e domínio, que é possível compreender a operação compositiva e lógica que rege a formação desses híbridos, essas quimeras contemporâneas em que o corpo feminino é matriz, eixo central, mas também terreno de mutações, desdobramentos e subversões. A justaposição necessária de diferentes matrizes para a obtenção de uma imagem, ou quando não as diversas camadas de intervenção em uma única matriz de gravura, permitem uma correlação com a interpolação de partes animais, vegetais e humanas na construção dessas entidades quase monstruosas nas gravuras da artista.

A exposição percorre diferentes técnicas da gravura em metal. Da água-tinta e da água-forte, ponto de partida quando Natali retorna à Oficina de Gravura do Museu do Ingá, em Niterói, onde havia tido seus primeiros contatos com a linguagem ainda nos anos 1990, passando pela ponta seca e pela cologravura, técnica à qual tem se dedicado com mais afinco recentemente.

Donna Haraway retoma e aprofunda a pergunta espinosana sobre os corpos a partir de um lugar mais situado, em "Ficar com o Problema - Fazer Parentes no Chthuluceno", a autora desenvolve a noção de devir-com, que prolonga o devir-animal de Deleuze e Guattari ao levar a sério não apenas a potência abstrata da transformação, mas as relações singulares e específicas entre espécies reais e seus encontros, suas histórias, suas interdependências cotidianas. Ela propõe que o individualismo delimitado, a ideia de um ser humano autossuficiente e separado do mundo natural, se tornou verdadeiramente impensável.

O que Haraway chama de simpoiese (fazer-com), em oposição à autopoiese (fazer-sozinho), descreve a condição fundamental de todos os seres vivos, na qual nada existe nem se constitui isoladamente. Os corpos, em Haraway, são sempre resultado de encontros, emaranhamentos e contágios entre espécies. Nesse vocabulário, as figuras de Natali Tubenchlak se tornam reconhecíveis. As mulheres na obra da artista crescem para fora de si mesmas e se infundem com o que não são, construindo parentescos com o vegetal e o animal.

Entre as séries apresentadas estão, Dá-se assim desde menina, que aprofunda esse território, somando ao corpo a memória acumulada do que o mundo impõe às mulheres desde a infância. Já a série Montaria coloca em cena a longa história de representações do corpo feminino oscilando entre objeto e sujeito, em obras que transitam entre o erótico e o político, registradas com olho clínico e sarcástico. Nos trabalhos mais recentes, como as cologravuras das séries Desvairada e Mata Atlântica Dramática, a artista radicaliza a síntese entre corpo e mundo natural. As figuras se tornam mais densas e entregues à fusão. O dilema de onde termina o humano e onde começa o vegetal deixa de ser formulado, pois os corpos encontraram finalmente sua forma.

Identificar-se com o animal, com a planta, com aquilo que excede a forma humana dita hegemônica é uma forma de escapar e de tornar visível as normatizações de poder impostas aos corpos - e os corpos híbridos de Natali Tubenchlak não são meras metáforas de um pensamento sobre a natureza, mas sim um  pensamento propriamente matérico, encarnado e impresso. A curadoria de Ana Carla Soler e Talita Trizoli apresenta um percurso histórico e temático sobre a produção da artista, ampliando a pergunta que move o seu corpo de obra: o que é e pode ser um corpo?


Ana Carla Soler e Talita Trizoli

julho 2026




Natali Tubenchlak

1975, Niterói, artista visual.


Seu trabalho investiga temas como ética, violência e sensualidade. Estudou na Escola de Artes e Ofícios, em Barcelona, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, na Oficina de Gravura do Museu do Ingá. Se graduou como Designer na Faculdade da Cidade.


Residências

2025 Residência artiística Solar das Andorinhas. São Mateus-ES

2021  Intervalo, Casero Residência. Parque Nacional de Itatiaia-RJ

2018  Casa Tres Patios. Medellin-CO

2017  Residência Artística Mutuca 6. Serra do Espinhaço-MG

2017  Barda del Desierto#3. Contralmirante Cordero, Provincia de Río Negro, Patagonia-AR

2015  Programa Plataforma de Emergência “O Lugar do Gesto na arte Contemporânea’’. Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica. Rio de Janeiro-RJ         

2014  “LA EXPERIENCIA/LA PEDAGOGIA”. Córdoba-Ar                                  

2014  J.A.C.A. Belo Horizonte-MG 


Individuais

2025  Desvairadas e outros cultivos. Abapirá, espaço independente de arte, curadoria Ana Carla Soler. Rio de Janeiro  

2019   Dá-se assim desde menina ou Perder a cabeça. Fábrica Bhering, curadoria Cláudio Oliveira. Rio de Janeiro-RJ

2017   Dá-se assim, na entrada, na fachada, no muro". Canto da Carambola, curadoria Keyna Eleison. Rio de Janeiro-RJ

2017   Dá-se assim desde menina". Projeto passagem, Parque das Ruínas, curadoria Gabriela Dottori. Rio de Janeiro-RJ

2017   Projeto escada. Dá-se assim venenosa. Saracura, curadoria Paula Borghi - RJ

2017   Ambientes Infláveis IED Rio. Ocupação das ruínas do teatro. RJ.

2016   Não provoque. Tato Galeria, curadoria Omar Porto. São Paulo-SP

2016   Goela abaixo. Centro Cultural Laurinda Santos Lobo. Rio de Janeiro-RJ

2016   Insolente. Studio488. Buenos Aires-AR

2013   Ambientes Infláveis. Casa Daros. Rio de Janeiro-RJ

2013   Ambientes Infláveis. Centro Cultural Paschoal Carlos Magno. Niterói-RJ

2012   Ambientes infláveis. Barracão Maravilha, exposição de encerramento do circuito no Estado do Rio de Janeiro, com participação do grupo “Active Ingredient”. Rio de Janeiro-RJ

2012   Ambientes Infláveis. Galeria Vendaval. Patagônia-AR

2003   Delírios de Dora. OEstúdio. Rio de Janeiro-RJ

2001   Dora sabia. Espaço Cultural CREA-RJ. Rio de Janeiro-RJ


Salões

2022   II Salão Vermelho de Artes Degeneradas. Atelier Sanitário, Rio de Janeiro.

2019   I Salão Vermelho de Artes Degeneradas. Atelier Sanitário, Rio de Janeiro-RJ

2019   16º Salão Ubatuba de artes visuais. FundArt, Ubatuba-SP


Coletivas

2024   Memórias íntimas; com curadora de Carmen Vicente e Andrés Poma. Centro Cultura de Bellas Artes, Lima - Peru

2024   Bagagem: a casa do amanhã, não se pode visitar; com curadoria de Anna Carla Soler e Francela Carrera. Instituto artistas latinas, Ed.Odeon, Rio de Janeiro - RJ

2024   Gravadas no corpo; com curadoria de Ana Carla Soler. Instituto Inclusartiz, Rio de Janeiro

2024   Pra tocar no real; curadoria de Omar Porto, no Jardim de Mi, São Paulo-SP

2024   Gravadas no corpo; com curadoria de Ana Carla Soler. Bananal, São Paulo-SP 

2024   Lumi festival de luzes, com os Ambientes infláveis; curadoria de Guto Nóbrega. Nova Friburgo-RJ

2023   G.A.F. O grande circo do patriarcado; com curadoria de Talita Trizoli. Canteiros, São Paulo                 

2023   Mostra Onjila e Vídeo Gira; com curadoria de Luanda e Alexandre Sá. Ateliê Terreiro, Rio de Janeiro.

2023   G.A.F S/ Demandas; com curadoria de Talita Trizoli. Massapê Projetos, São Paulo-SP.

2022   Rebento; com curadoria de Omar Porto. Xou.Rumi, Rio de janeiro.

2022   Brasil Delivery; Ocupação artística, com curadoria de Marcelo Valle. Espaço Travessia, Rio de Janeiro.

2021    A arte de gravar, mulheres artistas na Oficina de gravura do Ingá; com curadoria de Ricardo Queiroz. Niterói, Rj.

2021   A margem é mais larga que o vão. Central Galeria, curadoria Talita Trizoli

2020   Estandarte I: A vanguarda dos povos. Castelinho do Flamengo, curadoria Yago Toscano. Rio de Janeiro

2019   "A Caminho da Babel - Panorama das Artes Visuais em Niterói”. Cúpula do Caminho Niemeyer

2019   Da forca a liberdade. Galeria Liberdade. São Paulo-SP

2019   Baile da Aurora Sincera, curadoria Bernardo Mosqueira. Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro-RJ

2018   HUMANAL. A Mesa, curadoria Cláudio Oliveira. Morro da conceição, Rio de Janeiro

2018   Una linea de polvo, arte y drogas en América Latina. Instituto Municipal de cultura y turismo de Bucaramanga, curadoria Santiago Rueda. Bucaramanga-Co

2017   40 anos oficina do museu do Ingá. Museu do Ingá. Niterói-RJ

2017   PING festival. Eleva. Rio de Janeiro-RJ

2017   Narrativas Gráficas. Centro Cultural Laurinda Santos Lobo. Rio de Janeiro-RJ

2017   RAM6 + Retrospectiva 2012:2016. MAMA/CADELA. Belo Horizonte-MG

2017   BATATA. Centro Cultural Feso Pro Arte. Teresópolis-RJ

2017   Outras Matrizes, Novas Poéticas. Galeria de artes da UFF, Curadoria de Bruna Araújo e Michaela Blanc. Niterói-RJ

2016   Às vezes é melhor fazer uma sopa. Espaço SARACURA, curadoria Bianca Bernardo - RJ

2016   Geografias da violencia. Museu Gregorio Álvarez, Neuquén, Argentina.

2016   Atentado ao Pudor - TOPLESS. Museu do Sexo Hilda Furação, curadoria Maria Eugenia Cordero e Santiago Rueda. Belo Horizonte, MG

2016   "Semana de arte de Londrina: Sobre Cidade". Londrina-PR


bottom of page